Entrevista · Nilson Silva
Da garagem em Pompano ao Top 50 dos Estados Unidos
Chegou do Brasil com 12 anos, abriu a Master Touch aos 21 com US$ 3 mil e hoje abre a própria experiência para outros donos de empresa de serviço. Nesta conversa, Nilson Silva fala de lucro, equipe, sistemas e dos erros que custaram caro.
Fundador da Master Touch Outdoor Living e mentor da CheckMate Scale. Perguntas da redação da CheckMate.
“Sem uniforme, sem boné, sem nada.”
Como tudo começou?
Cheguei do Brasil aos Estados Unidos com 12 anos. Quando terminei a escola, eu tinha dois trabalhos: ajudante de piscina de dia e restaurante à noite. Aos 21, comecei a Master Touch com US$ 3 mil. O primeiro escritório foi a garagem de casa, em Pompano.
E o primeiro cliente?
A primeira foto de “cliente” que eu tenho, a casa nem era cliente minha. Sem uniforme, sem boné, sem nada.
Como veio a licença?
Levei uma denúncia por anunciar sem licença, e isso me fez correr atrás da primeira. Eu não tinha experiência comprovada. Então juntei cartas de clientes, autentiquei em cartório e consegui a bendita da licença.
Teve hora de pensar em parar?
Teve noites chorando sem dinheiro para fechar a semana. Aluguei o primeiro escritório comercial, em Boca, no segundo andar, sem ter o dinheiro do aluguel seguinte. Na parede, um versículo: “Eu ando pela fé e não pelo que vejo”.
“Se for pra desistir, desista de ser fraco.”Nilson Silva
A última linha do P&L
Faturar muito não resolve?
Eu já fiz quinze milhões e levei para casa trezentos mil. A operação estava inchada: vinte telefones, e por aí vai. Prefiro faturar cinco milhões e levar dois para casa. Por isso a primeira coisa é aprender a ler a última linha: o P&L, a margem de cada serviço, o que está inchado.
E o que fazer com o que sobra?
A minha regra é me pagar primeiro: tirar a minha parte antes de devolver para o negócio. O dinheiro dos primeiros anos foi para o real estate, e hoje eu vivo muito bem por causa dessa troca. O gol é o mesmo, mas eu tenho que ter vários planos. Quando o Covid bateu na porta, quem não tinha plano B quebrou.
De onde vem o cliente?
De tudo quanto é lugar: Facebook, Google, Local Ads, Instagram, carro envelopado, indicação de amigo. Mas por trás de todos tem uma marca forte. No começo da Master Touch, 60% da receita vinha do Craigslist, com um robô que ficava postando. O canal barato que ninguém usa pode ser o melhor.
E na hora de vender?
Eu filtro pelo valor do imóvel. Casa abaixo de US$ 800 mil recebe preço online. Acima de US$ 4 milhões, o dono vai pessoalmente. E a oferta muda com o lugar: o que funciona na Flórida não é o mesmo de Boston ou da Carolina do Norte. Eu preciso entender o mercado.
“Prefiro faturar cinco milhões e levar dois para casa.”Nilson Silva
A porteira sempre aberta
Qual é a regra para contratar?
Hire slow, fire fast: contratar devagar, demitir rápido. E deixar a porteira sempre aberta. Você só fica na mão do funcionário quando não tem opção. Hoje um robô posta a vaga no Indeed, puxa os candidatos para uma planilha e manda para o CRM já separando quem tem experiência.
E o que a equipe construiu junto com a empresa?
Mais de 10 famílias da equipe compraram a casa própria. A Master Touch é uma família.
E o reconhecimento de fora?
A Master Touch entrou no Top 50 Service da Pool & Spa News cinco anos seguidos, de 2021 a 2025, e no Top 50 Pool Builders em 2025 e 2026. Mudamos a marca para Outdoor Living e batemos números que ninguém acreditava no mundo da piscina.
O fluxo antes da ferramenta
E os sistemas?
Já usei GoHighLevel, Podium, CallRail, QuickBooks. O GoHighLevel é mais comunicação: é fraco em serviço recorrente, estimate, follow-up e integração com o QuickBooks. Por isso desenvolvi um sistema próprio que conversa com ele. Mas qualquer ferramenta vira bagunça quando ninguém desenha o fluxo.
E a inteligência artificial?
Uso IA e automação de WhatsApp para melhorar a performance. O robô de contratação é um exemplo.
Como é a sua agenda?
Você tem que ser dono do seu horário. Tudo está no Google Calendar: se não está lá, eu não apareço. Reunião às 8h, eu chego 7h50. E faço algo para desestressar, que é o jiu-jitsu.
“Eu não gosto de ser aquele cara que só conta os acertos.”
Por que falar dos erros?
Eu tenho uma pasta de fotos dos fracassos. A primeira piscina que eu não consegui terminar, por contratar gente incapaz e pela pouca experiência. A van batida que virou processo. A piscina de um hotel high-end alagada em 21 de dezembro, quatro dias antes do Natal, com o restaurante lotado.
E por que uma mentoria agora?
Porque eu já cometi os erros, e você não precisa cometer todos. Eu ensino o caminho; quem implementa é o dono. E a prova é a empresa real, não carro e roupa de marca.
“Nunca foi sorte, sempre foi Deus. Esse é apenas o começo.”
“Eu tenho uma Kombi, não uma Ferrari.”Nilson Silva